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Sucesso…

Inspiração / Liderança

Por Rubem Alves

FIZERAM UMA enquete entre pessoas que, a seu juízo, tiveram sucesso, eu entre elas. Queriam descobrir o segredo. Eram seis perguntas:

1) Se tivesse que definir sua história profissional em três palavras, quais seriam?

Um jovem me perguntou: como planejei a minha vida para chegar aonde cheguei? Respondi: cheguei aonde cheguei porque tudo o que planejei deu errado. A primeira palavra, então, seria “acidente”.

Depois, há de se ter um dom, coisa que não se faz, mas se recebe dos deuses. Quis muito ser pianista. Fracassei porque me faltava o dom. Já vi muitas promessas em livros de autoajuda do tipo “você está destinado ao sucesso…”. Isso é mentira. O querer nada pode sem o dom. Finalmente, é preciso trabalhar.

2) Quais diferenciais uma pessoa deve possuir para conquistar o sucesso em sua profissão?

Não gosto dessa palavra “sucesso”. O que é sucesso? Vender um milhão de livros? Muitos livros medíocres são vendidos aos milhões, enquanto outros livros geniais não vendem uma única edição.

Muitos sucessos acontecem por acidente, trapaça ou malandragem. Ser eleito deputado ou senador -isso é sucesso?

Não se aprisionar ao costumeiro. Uma mulher que não conheço me enviou um presente, um quadro bordado em ponto cruz com as palavras “Deus abençoe essa bagunça”… Nietzsche nos aconselhou a construir nossas casas nas encostas do vulcão Vesúvio… Curiosidade.

3) Você deve ter acompanhado muitas pessoas que atingiram um reconhecimento em sua carreira, mas que, em pouco tempo, acabaram esquecidas. Quais os cuidados que um profissional deve tomar para que isso não ocorra?
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Porter: um retorno ao tradicional papel da empresa?

Gestão / Sustentabilidade

Por Maria Cecília Prates Rodrigues

Michael Porter e Mark Kramer já não são mais ardorosos defensores da “filantropia estratégica”, como pude detectar no último número (Jan.2011) da Harvard Business Review (HBR). Em artigo sobre “como consertar o capitalismo e inaugurar uma nova era de crescimento”, eles afirmam categóricos que “a solução está no princípio do valor compartilhado, cujo foco é a relação entre o progresso social e o econômico. Valor compartilhado não é responsabilidade social, filantropia ou sustentabilidade. Uma empresa atuando como empresa, não como um ente filantrópico, é o agente mais forte para lidar com as prementes questões a nossa frente”. Eles mudaram? Essa mudança era previsível?

A meu ver, eles mudaram sim, mas apenas em termos de forma e terminologia; e não de conteúdo, como pude perceber em seus artigos sobre o tema na HBR nesses últimos dez anos. O importante é que a idéia central se manteve, que é baseada no poder da empresa em contribuir para as mudanças sociais a partir de sua própria estratégia de negócio.

Para começar, há que se reconhecer que o artigo de Porter e Kramer sobre a “filantropia corporativa estratégica”, publicado na HBR de 2002, ficou tido como a grande referência no tema, muito embora nem tenham sido eles os criadores do conceito. Já em 1996, em artigo anterior na HBR, Craig Smith utilizara esse mesmo termo para apontar o poder competitivo que as doações corporativas poderiam ter quando alinhadas à estratégia das empresas e, com isto, até serem justificadas frente às demissões em massa das companhias norte-americanas naqueles anos 90. Continue reading “Porter: um retorno ao tradicional papel da empresa?” »

É hora de abolir a pena de morte em todo o mundo

Espiritualidade / Sustentabilidade

Por Desmond Tutu – Arcebispo de Cidade do Cabo e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1984.

Em grande parte do século XX a maioria das nações do mundo aplicou a pena de morte. Mas, na medida em que se aproximava o milênio muitas sociedades questionaram a presunção de que matar seus concidadãos através do sistema judiciário servisse para concretizar objetivos positivos. Alegra-me que a pena de morte esteja sendo eliminada do planeta. Como cristão, cujo sistema de crenças está baseado no perdão, penso que a pena de morte é inaceitável. Cento e trinta países de todas as regiões do mundo aboliram a pena de morte, legalmente ou na prática. Desde 1990, 50 países aboliram a pena capital para todos os crimes. No ano passado, somente 25 países realizavam execuções, seis deles na África.

É tamanho o sentimento mundial contra a pena de morte, com algumas exceções notáveis como Estados Unidos, China, Cingapura e outros, que uma resolução para exigir uma moratória das execuções e a abolição desse castigo será apresentada na Assembléia Geral neste mês. A comunidade mundial dará, então, seu parecer sobre a moralidade desta punição. Como um opositor da pena de morte, experimentei o horror de estar perto de uma execução. Não somente na época do apartheid na África do Sul, quando meu país tinha uma das taxas de execuções mais altas do mundo, mas também em outras nações.

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A crise no Rio e o pastiche midiático

Sustentabilidade

por Luiz Eduardo Soares*

Sempre mantive com jornalistas uma relação de respeito e cooperação. Em alguns casos, o contato profissional evoluiu para amizade. Quando as divergências são muitas e profundas, procuro compreender e buscar bases de um consenso mínimo, para que o diálogo não se inviabilize. Faço-o por ética –supondo que ninguém seja dono da verdade, muito menos eu–, na esperança de que o mesmo procedimento seja adotado pelo interlocutor. Além disso, me esforço por atender aos que me procuram, porque sei que atuam sob pressão, exaustivamente, premidos pelo tempo e por pautas urgentes. A pressa se intensifica nas crises, por motivos óbvios. Costumo dizer que só nós, da segurança pública (em meu caso, quando ocupava posições na área da gestão pública da segurança), os médicos e o pessoal da Defesa Civil, trabalhamos tanto –ou sob tanta pressão– quanto os jornalistas.
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“Tropa de Elite 2″: mudou a vista, mudou o ponto

Espiritualidade / Sustentabilidade

por Marina Silva

Perplexidade que filme pode gerar é convite de não rendição às circunstâncias e de reencontro com nossa humanidade

No primeiro “Tropa de Elite”, era o mano a mano, aquilo que a psicodinâmica chama de pedagogia de violência, a tese da eliminação do crime pela eliminação do criminoso. Em “Tropa de Elite 2″, entram a política, a sociedade e os direitos humanos.

Os personagens são mais complexos e interessantes. O professor militante e o agora tenente-coronel Nascimento se estranham, mas se encontram, mesmo sem o querer, na realidade dura que os envolve, em que um é indispensável ao outro.

Quando o coronel “cai pra cima” e começa a conhecer mais a fundo a sordidez entranhada no “sistema”, já fica claro que, neste filme, a polícia é coadjuvante. Agora, o assunto é política, em que se choca o ovo da serpente da violência policial e das relações espúrias entre poder de Estado e delinquência.
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